segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Diário de Cuba 4 - Uma noite em Varadero

 

        Acordou na outra manhã num baita susto, lembrou-se de que havia tomado algumas taças de vinho com as duas canadenses ( ler Diário de Cuba 3: El Malecon) quando descobriram que os três iriam para o mesmo destino no outro dia, a praia de Varadero, ele iria no ônibus das 13h e elas bem cedo, num táxi coletivo. As irmãs retornariam para Havana dois dias depois e daí para Montreal, ele passaria uma noite por lá e depois seguiria para Santa Clara, de onde pegaria um avião para o Panamá e depois para o Brasil.
       Havia rolado uma curiosidade mútua entre ele e a canadense ruiva já na noite anterior, quando foram interrompidos pelo chinês borracho ( ler Diário de Cuba 2: El Chino de La Habana). Desta vez, novamente algo estranho acontecera bem quando estavam para pegarem-se. Levantaram, pagaram a conta, e a irmã morena saiu rápido, deixando-os para trás, foram chegando-se perto enquanto caminhavam para a saída do bar. Acontece, que dentro do local, havia um degrau no chão e, como estavam olhando-se nos olhos e meio borrachos, a ruiva pisou em falso e saiu lavrando as mesas do boteco, caiu por cima de uma mesa cheia de gente, virando porções de petiscos e garrafas de cerveja.
        O constrangimento do pialo obviamente quebrou todo o clima, a irmã morena voltou para ajudar no socorro da ruiva e as duas canadenses entraram em um táxi para o hotel. Ele seguiu para casa sozinho, parando aqui e ali para assistir as rodas de música que abundam na noite habanera, dormiu cedo. Tomou café da manhã, lembrou-se de que havia pego o telefone da canadense e logo depois visitou a casa de Isabel e Luís. 
     O casal cubano tinha uma novidade, naquela manhã havia chegado Maria, uma professora brasileira de física, que já havia visitado Cuba mais de 30 vezes nos últimos 30 anos, Maria era do PCdoB, uma enciclopédia viva sobre a revolução e amigaça de Luís e de Isabel, fora inclusive madrinha no casamento deles. A professora convidou-o para uma visita ao museu da revolução, onde lhe deu uma aula sobre a cultura e a história cubanas, passearam por Habana Vieja e almoçaram em um tradicional restaurante da Sociedade Canária, que possui o símbolo igualzinho ao do Sport Club Internacional. 
        À tarde, ele voltou para a casa onde estava hospedado, arrumou suas coisas e pegou um táxi para a rodoviária, onde embarcou num ônibus para a cidade de Varadero, famosa península paradisíaca no mar do Atlântico. Chegou no meio da tarde, largou suas coisas na pousada, colocou um calção de banho e seguiu para a praia.
        Antes, combinou com Fred, o filho do dono da pousada, que na outra manhã o levasse até Santa Clara, para que voltasse ao Brasil no voo das duas da tarde para a Cidade do Panamá. Fred disse para que ficasse tranquilo, as duas cidades eram 200 quilômetros distantes e às 7 da manhã, em ponto, ele estaria ali para o retorno.
       - El coche esta muy bueno. - disse Fred, e saiu com seu carro soviético Lada 1974 tossindo, apagando e gineteando pelas ruas da bela cidade.
     A praia estava praticamente deserta em função da época do ano, que é inverno no hemisfério norte, mas as águas permaneciam quentes, aproximava-se um pôr-do-sol vermelhíssimo dentro daquele mar em sete cores que variavam desde o azul mais claro até o verde mais verde. Tomava uma dose de mojito, que comprara numa barraca no caminho, e sentiu-se sozinho como nunca em toda a sua vida. Do nada, surgiu aquela pontinha de melancolia que sempre sentia quando assistia a um nascer ou a um pôr-do-sol em um lugar tão bonito. Cochilou nas areias de Varadero logo após ter anoitecido.
      Acordou com uma exclamação de alegria:
      - Hey brazilian!!! - era a canadense, ele havia mandado uma mensagem logo que chegara, mas por uma dessas falhas no sistema de telecomunicações da ilha, não chegara ao celular da mulher.
      Ela havia chegado ao meio dia, e dormira para recuperar a ressaca da bebedeira da noite anterior, quando resolveu caminhar um pouco pela praia logo no começo da noite. Não deu 5 minutos de conversa e, após 2 dias adiando a vontade de pegarem-se, nem perceberam quando já estavam aos beijos. Como nenhum dos dois possuía preservativos e também por causa da areia, não puderam desfrutar de todas as possibilidades de uma torrente de paixão pelas areias de uma noite quente cubana, o que não impediu que se divertissem bastante.
       Ele voltou para a pousada e ela para o Resort em que estava hospedada já próximo de amanhecer. Após o café da manhã, ele arrumou as malas para esperar a chegada de Fred com o carro que os levaria até o aeroporto de Santa Clara em seus últimos momentos em Cuba. 

domingo, 26 de junho de 2016

Diário de Cuba 3: El Malecon

        



       Acordou sentindo-se muito bem. Lembrou-se do pobre chinês borracho e meio locão da noite anterior (ler Diário de Cuba 2: El Chino de La Habana), tomou um típico café servido nas casas de moradores cubanos aos que lá se hospedam, um pratão de frutas tropicais como: manga, mamão, goiaba e banana com um copo de suco de laranja. Após, serviu-se de uma xícara de café, um pãozinho com manteiga e um ovo frito, baita desayuno! Era seu terceiro dia em Cuba e resolveu caminhar por Habana Vieja, conheceu praças, teatros, livrarias, conversou com muitas pessoas e almoçou no mesmo restaurante onde havia conhecido o chinês da noite anterior.
        À tarde, pegou um ônibus daqueles que fazem tours guiados pela cidade, visitou prédios imponentes de antes da revolução socialista, como os Hotéis Nacional, que aparece no filme O Poderoso Chefão II, e Habana Libre, onde Fidel Castro hospedou-se  para despachar e receber líderes políticos nos primeiros dias da vitória da revolução socialista. Saltou na Praça da Revolução, tirou fotos nos prédios do Ministério da Defesa, aquele da figura em relevo do Che Guevara e sua célebre frase: "Hasta la victoria siempre". Ao lado, o prédio do Ministério da Ciência e Tecnologia, onde há uma gravura do Camilo Cienfuegos e sua frase mais lembrada: Vas bien, Fidel!  
        Da praça da revolução, pegou um táxi até a Universidade de Havana, entrou num restaurante, pediu uma pizza e sentou-se na única mesa vaga do local. Nisso, chegou um grupo de adolescentes cubanas, que pareciam cabularem aula. Uma das meninas puxou assunto:
       - Puedo? - apontou para a cadeira ao seu lado.
       - Si, como no.
      Encheram a mesa.  Pediram uma coca cola e uma espaguetada e dirigiram-lhe a palavra mais uma vez.
      -  Donde vienes?
      -  Brasil.
      - Verdad? No creo! -  a mesa inteira passou a prestar atenção nele.
      A palavra "Brasil" pareceu uma chave de boas vindas, o grupo de umas 5 ou 6 adolescentes abriu-se em sorrisos, acharam o máximo estarem conversando com uma pessoa do Brasil:
      - Me encanta Brasil! - disse uma delas, e passaram a enumerar diversas novelas ou personagens das novelas brasileiras, que ele vagamente se lembrava. 
        - Avenida Brasil, Paraíso Tropical, Chocolate com Pimenta, Glória Pires, Antônio Fagundes, etc e etc. - disseram que uma vez, o governo suspendeu o racionamento de luz para que as pessoas assistissem "A Escrava Isaura" e que até o próprio Fidel trocava os horários das reuniões para ver a Lucélia Santos atuando no papel principal do livro homônimo do Bernardo Guimarães.
        Eram estudantes normalistas do primeiro ano e realmente cabulavam aula. O dia estava lindo e muito divertido, mas sentiam uma pontinha de peso na consciência, afinal de contas, era o povo cubano que fazia esforços gigantes para mantê-las estudando, mas prometiam compensar estudando em casa com muito afinco.        Ao final da conversa, convidaram-no para passear juntos até o Malecon, o passeio à beira mar que inspira fotógrafos e poetas do mundo todo para assistir ao pôr do sol. Ele agradeceu o convite, mas queria conhecer a Universidade antes de voltar ao centro, onde estava hospedado. Despediram-se com tanta alegria, que em todos ficou a certeza de que há muito dos cubanos nos brasileiros e muito dos brasileiros nos cubanos.
       Tirava fotos em frente à Universidade de Havana quando chegaram dois homens:
       - Quiere conocer adentro la universidad?
       - Es posible?
       - Si, somos professores.
      Entraram na Universidade, um era professor de farmácia e o outro de ciências sociais. Mostraram-lhe a Faculdade de Direito, onde havia estudado o Fidel Castro, o prédio onde o Lula havia feito um discurso, outro que iria receber o Frei Betto. Conversaram um pouco sobre as dificuldades de ser professor universitário em Cuba, passearam diante da fábrica do Legendário, um rum fabricado próximo à universidade de forma toda artesanal. Conheceu a Casa do Estudante, onde Fidel Castro havia morado, local onde reuniram-se os revolucionários após a chegada triunfal à capital e onde hoje existe um bar. Pediram um mojito cada um.
        - Quiere dos botellas del ron Legendario? Es 20 CUCs. - Uns 80 reais.
        - Claro, que gentileza.
    Pagou os drinques de todos, pegou as duas garrafas de rum e despediu-se de seus amigos professores cubanos. Entrou no ônibus para o centro da cidade, abriu a sacola onde estava o rum, mas percebeu que as garrafas estavam cheias de água. Caíra num golpe clássico que alguns vigaristas aplicam nos turistas: contam histórias verídicas misturadas com criações e exageros, pegaram a grana do rum falso e ainda tiveram o drinque pago pelo brasileiro idiota.
     Estava chegando próximo do horário do pôr do sol e o ônibus estacionava no Malecón. Apesar do céu nublado, o raio vermelho do sol por detrás do Hotel Nacional e das as construções coloniais multicoloridas em mau estado de conservação, a Fortaleza da La Cabaña e os carros clássicos antigos formavam uma imagem tão charmosa, que era impossível ficar chateado com o calote sofrido. 
      Trinta anos! Tinha recém feito 30 anos, o Malecon era lindo e estar no coração da América Central, em uma ilha socialista lendária, no meio do caribe, era mais do que havia sonhado, mas tudo o que seu coração precisava naquele momento de sua vida. Para compreender Cuba e os cubanos, seria preciso desprender-se dos preconceitos pequeno-burgueses que havia acumulado em sua alma nos últimos tempos,  seria preciso banhar-se de povo, pensar com o povo e ser mais povo do que estava acostumado. 
     Sentou-se em um boteco para ver o finalzinho do pôr do sol que se arrastava lentamente. Pediu uma água, que foi trazida por um rapaz que se sentou ao seu lado e abriu uma cerveja Cristal. Como não estava muito para papo, terminou de tomar a água e pediu a conta:
      - 2 CUCs. Un por la agua y otro por la cerveza. - o rapaz não era funcionário do bar, buscou água e a cerveja fingindo-se ser um garçon para ganhar a cerveja.
     - Tu bebiste la cerveza, no te voy a pagar. Aca, 1 CUC. 
     Pagou somente o valor referente à água e seguiu caminhando orgulhoso por não ter caído em mais um golpe. Um cruzeiro zarpava da baía de Havana e havia música ao longe. Entrou na Cidade Velha, aproximou-se de um bar que tocava música italiana, quando escutou de dentro do bar:
     - Hey, brazilian! -  Era a ruiva canadense que havia conhecido na noite anterior, na festa em que o seu amigo chinês havia sido expulso. - Come on! - ela estava sentada com outra mulher, uma morena, sua irmã.
    Entrou no bar, sentou-se com as duas mulheres e pediram uma garrafa de vinho. - a banda começava a tocar o "Ela é Carioca" do Tom Jobim e tinha anoitecido em Havana.     
      
     

domingo, 29 de maio de 2016

Diário de Cuba 2: El Chino de La Habana





       Chegaram à capital perto do meio dia e ele foi o primeiro a descer, pois ficaria no bairro central da cidade, atrás do Capitólio, aquela baita construção que aparece no filme "O Poderoso Chefão 2", quando o Mike Corleone vai a Cuba. Ficaria hospedado na casa de uma senhora muito simpática, que deu alguns conselhos, como perguntar a idade, caso conhecesse alguma moça, deu também algumas dicas a respeito da cidade e as regras para o café da manhã.
      Antes de seguir caminhando por La Habana, como os cubanos fazem questão de chamar sua linda capital, passou na casa de Isabel e Luís, um casal famoso por hospedar brasileiros, eles haviam-no encaminhado os contatos de todas as casas onde ficou por lá:
    - Nos deciram que es un comunista! - disse o dono da casa, oferecendo-lhe um prato de um excelente espaguete e uma lata da cerveja Bucanero bem gelada.
     - Si, yo soy comunista.
     - Qual es tu organizacion?
     - Soy de la izquierda del PT, soy de PT, pero de un grupo marxista-leninista.
     - Entonces deve ser de la articulacion de la izquierda! - e levou-o até um mural, onde havia a foto de uns 200 brasileiros que já haviam se hospedado naquela casa.
      Conhecia uns cinco ou seis de cada organização política da esquerda brasileira, do PSOL ao PDT, ambos tinham uns três conhecidos em comum. Seu Luís era um comunista histórico, participante da defesa da Baía dos Porcos, em 1961, e das campanhas africanas em Angola, nos anos 70: a chamada Operação Carlota.
      O tempo estava armando-se e logo que colocou o pé na rua, uma chuva torrencial desabou, entrou num restaurante onde havia música brasileira, pediu um mojito e um charuto Cohiba:
      - Só o que falta essa chuva não passar e eu não aproveitar  Havana. - mas depois pensou que talvez fosse a oportunidade de dar uma descansada, antes das grandes aventuras que talvez estariam por vir.
     Ao entardecer, a chuva deu uma trégua e ele seguiu passeando por Habana Vieja, uma viagem aos tempos coloniais: a arquitetura barroca e neoclássica do século 16, as livrarias, as pessoas nas ruas, a música e as intervenções teatrais lembravam muito Paris, mas sem perder a identidade latino-americana. O amarelo do entardecer e as poças de água refletindo aquela riqueza arquitetônica e cultural, somadas ao charme dos carros dos anos 40 e 50 fizeram-no, pela primeira vez, dar-se conta que estava caminhando por locais tantas vezes caminhados por  Ernest Hemingway, Garcia Lorca e Eça de Queiroz, algumas das personalidades que haviam morado na fascinante capital de Cuba.
        A fome bateu e ele resolveu entrar num restaurante indicado por seu Luís, comida boa e barata, havia dito o cubano. Pediu frango com arroz congri, um típico prato cubano, em que o arroz e o feijão são cozidos juntos, uma delícia.  O restaurante era igualzinho ao do filme O Poderoso Chefão 1, onde o Mike Corleone vai ao encontro dos mafiosos do grupo rival. Lá, havia um chinês bebaço, estudante de história, sentado na mesa ao lado, fizeram amizade.
         O chinês convidou-o a visitar a sua casa em uma região ainda não restaurada do bairro Centro Havana. Sentiu-se no filme Adeus Lênin, a casa do estudante ficava em um prédio igual aos do leste europeu nos anos 80. Além disso, havia um estacionamento de carros estatal em frente, quase todos Lada ou Moskvitch, aqueles automóveis russos que o Fernando Collor trouxe ao Brasil, em 1991. 
         A casa tinha cinco peças e quase não havia móveis. Na sala, uma mulher de uns 60 anos de idade fumava um charuto e assistia a novela brasileira Império, olhou os dois, xingou o chinês por ter trazido um estranho para dentro de casa e continuou assistindo televisão. No quarto não havia cama, o rapaz dormia em um colchonete envolto por um mosquiteiro gigante e muitos livros e carteiras de cigarro vazias pelo chão. Pegaram uma garrafa de rum e saíram para a rua:
         - No sé si es Cuba, si es la casa donde vivo o si soy yo que soy triste.
     Entraram numa festa de música pop, uma juventude majoritariamente cubana, alguns estrangeiros e muita animação. Conheceu duas irmãs canadenses muito simpáticas, uma delas, uma ruiva de uns 40 anos de idade, chamou muito a sua atenção. Era casada com um norte-americano e trabalhava com arquitetura. Saíram até a sacada para conversar quando um tumulto no meio do salão começou. O chinês xingava todo mundo e era carregado pelos seguranças para fora da festa:
          - It´s my friend, I have to go. - disse à canadense.
         - You have my number, Call me when you arrive at Varadero.
         Alcançou o chinês que fora atirado para fora da festa:
         - Que paso, hombre de Dios? - perguntou enquanto levantava o chinês do chão.
         - Hijos de puta! Concha tu madre! 
        Nisso, encosta o táxi de Santa Clara com seu amigo e as duas alemãs da viagem que havia feito de manhã:
        - Hey, brasileño! Bamos?
        Ele e o chinês entraram no carro. O taxista cubano ficara em Havana por mais um dia ( ler Diário de Cuba 1: O incidente de Santa Clara), chamou as duas alemãs para sair e deu a coincidência de estarem na mesma festa e assistirem a confusão com o chinês e ele. O cubano estava ficando com uma das alemãs. No carro, o chinês ficou quieto, mas ao descer em frente a sua casa, bateu a porta violentamente e ficou gritando:
         - Hijo de puta! Brasileño hijo de puta, te voy a matar! - atirou uma pedra em direção ao carro.
         - El pibe esta muy loco! - disse o taxista cubano.
        - Loco - repetiram as alemãs - já falando um pouco de espanhol. Todos riram e foram curtir um pouco do final da noite no Malecón, o calçadão Beira-mar. Ele ainda tentou aproximar-se da alemã que estava sozinha, mas ela não deu muito papo. 

         
         
          

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O Professor e o Tatu-Bola

      



       Aconteceu com um amigo meu. Um  professor do Instituto Federal de Sapucaia do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, pegava o metrô todos os dias na estação do Mercado Público e levava cerca de 40 minutos para chegar à instituição onde dava aulas de engenharia mecânica. Era o ano de 2012 e a cidade preparava-se para Copa do Mundo de 2014, que aconteceria no Brasil. 
      Naquele tempo, Porto Alegre tinha cheiro de maconha pelas ruas e bares da Cidade Baixa, de esgoto nas obras da construção civil, de fumaça em todo lugar e das bombas de gás de efeito moral, que a polícia jogava nos estudantes  A Coca Cola, uma das patrocinadoras do evento, colocara um mascote do campeonato mundial, um tatu-bola inflável gigante, bem no centrão de Porto Alegre. Sempre que passava por lá. meu amigo professor pensava:
      - Que merda! Tinha era que tocar um coquetel molotov nesse tatu-bola!
    Onde já se viu, um espaço público, uma praça, um parque, uma praia, o caralho a quatro sendo usado por uma empresa privada. Como que é possível que a Coca Cola se adone de um espaço do povo? Que absurdo!
      Podia estar estressado com algo totalmente sem conexão com o mascote, mas o culpado era sempre o tatu da Coca:
      - Tinha era que dar uma facada naquele tatu e sair correndo - pensava num dia em que tinha dado uma aula ruim.
       Enquanto os alunos faziam uma prova:
       -  Quando o tatu já tiver murchado, eu já to no trem indo pra Sapucaia.
      Após uma aula de mecânica dos fluidos, em função da demora do trem, quase irracionalmente:
      - Tatu-bola de merda! 
      O boneco trazia a sua raiva para fora, um dia tropeçou com o dedo mindinho no canto do sofá e xingou a plenos pulmões :
     - Se não fosse aquele tatu-bola de merda o mundo seria muito melhor! - cinco segundos depois pensou a respeito do absurdo proferido na hora da raiva e ficou com vergonha dos próprios pensamentos:
       - Ainda bem que eu moro sozinho e ninguém escutou essa bobagem.
    Naqueles dias, uma bloco de carnaval, político e musical faria uma apresentação em frente ao Mercado Público de Porto Alegre. Uma festa ao ar livre, com a galera da esquerda, anarquistas, o povo LGBT, curiosos e a bicho-grilagem em geral, bem na volta do dito tatu-bola. 
       Após dar sua aula:
      - Pego o trem, paro na festa, tomo uma cerveja com a galera e depois vou pra casa. Pelo menos a gurizada da cultura conseguiu dividir o espaço com aquele tatu-bola de merda da Coca-Cola.Tinha que tocar fogo naquele merda! - com muita raiva, mas bem mais conformado.
      Desceu do trem, subiu as escadas que davam para o Paço Municipal, quando viu uma concentração de gente e um velhinho dizendo:
      - Caramba, a polícia vai sentar o pau neles!
     O tantas vezes amaldiçoado tatu-bola da Coca balançava de um lado para o outro, o pessoal da festa decidira cortar as cordas que fixavam a estrutura do boneco inflável ao chão e, naquele momento, tentavam derrubá-lo às palavras de ordem:
     - Te cuida imperialista, América Latina vai ser toda socialista!
     Foi naquele instante, que percebeu o que estava acontecendo:
     -  A galera vai derrubar o tatu!!! - com um sorriso de vingança no canto dos lábios.
    Policiais e cachorros por perto.  Nisso...tomba o tatu! Desabou, Gingou pra lá, gingou pra cá e deitou em berço esplêndido...puuuuffffff fazia o barulho do gás vazando. No mesmo instante, a Brigada Militar atirou a primeira bomba e o tumulto começou. No grupo onde ele estava olhando tudo de longe, dividiam-se as opiniões:
     - Uma barbaridade, esses vândalos destruindo o patrimônio público!
     - Patrimônio público o caralho! Propaganda da Coca Cola na praça? É o fim da picada,        
      Um outro mais exaltado
      - Fora PT! Não vai ter Copa!
     No calor da hora, meu amigo gritou:
     - Fora tatu-bola!
    Após olhares curiosos:
     - E o capitalismo também! - E foi apoiado pelo cara que tinha dito que a propaganda da Coca era o fim da picada.
     Em minutos, o largo em frente ao Mercado Público foi esvaziado. Como ele não tinha participado da manifestação, a não ser pela solidariedade anti-tatu-bola, resolveu ir pra casa, morava em um prédio no viaduto da avenida Borges de Medeiros, alguns metros morro acima da zona de conflito, em pleno coração de Porto Alegre:
     - Que se foda! Não tava na manifestação, bem feito pro tatu-bola, vou pra casa. - E sem que se desse conta, começou a atravessar o Largo Glênio Peres, bem no meio do confronto.
     Esqueceu-se também, que tinha uma baita cara de comunista. Barbudo de mochila, calça jeans, tênis velho e fumando um cigarro. Uns 20 passos adiante, deu-se conta de onde estava e que seria facilmente confundido com os manifestantes, até porque já tinha participado de várias maifestações durante a vida e bastava um policial de boa memória para que ele pagasse, não pelo tatu, mas por alguma que já tivesse aprontado no passado. Um grupo de policiais da tropa de choque vinha em sua direção de braços dados, marchando e batendo com os cassetetes nos escudos. Passam encarando-o:
      - Ca-ra-lho! Vou apanhar da polícia. 
      Caminhou mais alguns passos e quando chegou a uma esquina, viu um grupo de jovens agachados embaixo de uma marquise. Por um segundo, teve a dúvida se seguia caminhando para casa ou agachava-se junto ao grupo da marquise. Não teve tempo de decidir, uma bomba de gás de efeito moral estourou aos seus pés. Não pensou em mais nada, só correu. De todas as esquinas, marquises, barracas de cachorro quente e bancas de jornal saíam pessoas correndo em debandada. Ardiam os olhos, a garganta, a cabeça doía, mas não parava de correr:
      Algumas esquinas acima, as pessoas reagrupavam-se enquanto a polícia concentrava-se a uns 150 metros, escutava-se o tropel dos cavalos ao longe, gritos dos prédios:
      - Polícia fascista! - Algumas pessoas haviam sido detidas.
      Enquanto ele não parava de tossir, uma moça com a cabeça coberta por um pano e só os olhos azuis aparecendo, chegou-se perto e ofereceu-o um pano:
        - Cheira isso! É vinagre! 
      Quase que instantaneamente, o efeito da bomba foi aliviando: os olhos, a garganta, a dor de cabeça passaram. Ficou mais alguns instantes naquela esquina, ainda procurou a moça dos olhos azuis para agradecer a ajuda, mas não a achou. Quando as coisas acalmaram-se um pouco mais, seguiu para casa com muito cuidado. Acendeu um cigarro e abriu um vinho para relaxar daquela noite de fortes emoções causadas por aquele merda daquele tatu-bola.



domingo, 24 de abril de 2016

Diário de Cuba 1: O Incidente de Santa Clara





       Tinha tomado duas garrafas de vinho gelado, um branco e outro rosé. Acordou numa baita ressaca naquele verão de quase dezembro, em Porto Alegre. Não lembrava muito bem dos últimos episódios da noite anterior, mas ao contrário da maioria das vezes em que bebia sozinho, a casa estava limpa e organizada. Em vez de ter caído com roupa e tudo por cima das cobertas, como ocorria quando ficava borracho, a cama tinha lençóis limpos, estava de pijama e cheiroso, tinha limpado a casa e tomado banho antes de dormir, só se lembrava de estar alcoolizado escutando música cubana, quando abriu a segunda garrafa de vinho. 
      Olhou o celular, nenhuma mensagem comprometedora. Acessou sua página no Facebook, onde também não havia nada com o que se envergonhar: como 50 compartilhamentos de músicas, publicação com filosofia de borracho, teses inteiras sobre a revolução socialista, declaração de amor exagerada ou discussão política com amigo de direita em que perdera a compostura, quase sempre pecando pelo excesso. Tava tudo normal. Tava tão normal que dava até medo.
     Acessou sua conta de e-mail e tomou um baita susto: "COPA AIRLINES: SÃO PAULO-SANTA CLARA". 
      - Puta merda, devo ter comprado uma passagem para alguma praia do Nordeste. 
      Leu com mais calma o conteúdo do e-mail e deu-se conta que era a Santa Clara de Cuba, a cidade onde o revolucionário argentino tomara o trem blindado, aquela da música de Carlos Puebla, e que conhecia tão bem na versão do Buena Vista Social Club:

"Cuando todo Santa Clara 
Se despierta para verte. 
Aquí se queda la clara, 
La entrañable transparencia, 
De tu querida presencia 
Comandante Che Guevara."

       - Meu Carlos Marx do céu! Minha Nossa Senhora da Rosa de Luxemburgo! Comprei uma passagem pra Cuba!
        Já que a merda estava feita, pensou em confiar no seu instinto. Em vez de devolver a passagem, resolveu encarar a viagem, apertaria um pouco daqui, um pouco dali por uns tempos e pagava-se. Comprou as passagens entre Porto Alegre e São Paulo, foi ao aeroporto, acertou tudo com o pessoal da empresa aérea, reservou hospedagem em casas de moradores. Organizou o que pôde nos 20 dias que teve, desde a descoberta da compra sob o efeito do álcool até a viagem propriamente dita.  No momento em que caiu a ficha de que visitaria Cuba, seu sonho de adolescência, o avião sobrevoava o mar do Caribe, era possível ver os oceanos Pacífico e Atlântico pela janela, estava há 15 minutos de Santa Clara, que ficava no meio da ilha socialista.
      Logo na chegada, teve a impressão de que tinha feito uma viagem no tempo. Palacetes coloniais e construções dos anos 20 e 30, carros e caminhões dos anos 50, charretes nas ruas. Nada de letreiros em neon ou outdoors com modelos magérrimas, não que tivesse algo contra, mas era avesso à ideia imposta pela maioria das intervenções publicitárias, onde há um único padrão de beleza. Sabem de nada, os inocentes!
    O atraso tecnológico de um bloqueio econômico, somado às grandes conquistas sociais das décadas de 60 e 70 tinham transformado a ilha, mergulhada no mar do Caribe, em um ambiente singular no mundo. O capitalismo mundial, que havia convertido as médias e grandes cidades em lugares muito parecidos uns com os outros: prédios quadrados e cinzas de Porto Alegre a Nova York, de São Paulo ao Cairo, de Vacaria a Dortmund, nada pudera contra Cuba, apesar do país ter muitas dificuldades. Sentia-se pisando na Aldeia Gaulesa do Asterix e Obelix.

Pichações:
"Aqui nadie se rende"

Em uma casa paupérrima:
"Siempre es 26"

      Chegou à casa que havia reservado, tomou um banho e saiu para conhecer a cidade. Começou visitando a famosa estátua de Che Guevara, o trem blindado que o guerrilheiro argentino interceptou, conversou com muitas pessoas e caminhou bastante até que anoiteceu. Comeu uma pizza na rua, entrou num bar e pediu um mojito. Luz baixa, muito calor, paredes pintadas de vermelho, todo mundo muito bêbado, um guaguanco tocando na vitrola e uma bandeira da União Soviética ao fundo. Parecia o bar do filme "Um Drinque no Inferno", numa versão comunista. Uma voz feminina ao seu lado:
       - Argentino?
      - No brasileño.
      - Me gusta Brasil!
    Era uma mulher muito bonita, uma cabeça mais alta que ele, o que não fazia diferença, pois estavam sentados. Papo vai, papo vem, quando viram estavam aos beijos, no mesmo instante em que começava a tocar a famosa música "La Negra Tomaza", na voz do Compay Segundo:
    - Donde estas aca en Santa Clara?
    - En la casa de Maria.
    - Vamos?
    Foram para a casa onde ele estava hospedado e amaram-se loucamente fazendo muito barulho, pois o colchão não era lá muito novo e já estava com as molas comprometidas. Lá pela 1 da manhã:
    - Tengo que salir. - disse ela.
    - No, quedate um poquito más.
    - Es mi cumpleaños , tengo que volver. - ela estava de aniversário.
    Vestiram-se e estavam saindo por um corredor quando alguém acendeu a luz da sala, era a dona da casa, sentada numa poltrona:
    - Quien es ella?
    - Amiga.
    - Identificacion.
   A moça entregou o documento tremendo-se toda, e qual não foi o susto de todos, quando a mulher perguntou:
    - Hoy es su cumpleaños de 17?
    - Si. - chorando, respondeu.
    Apesar de aparentar ser mais velha, a moça estava fazendo aniversário de 17 anos naquela noite, o que configurava crime de acordo com a lei cubana, ele sequer pensou em perguntar-lhe a idade no bar e muito menos quando chegaram em casa. A dona da casa era filha do comandante do exército cubano que se entregou para o Che Guevara, odiava Fidel Castro e era muito rígida, carne de pescoço mesmo. Ameaçou chamar a polícia, passou um baita sermão em ambos e liberou a garota.
     Não bastando, avisou o ocorrido aos moradores de todas as casas onde ele iria hospedar-se nas duas cidades que restavam em seu roteiro: Havana e Varadero. Sempre que chegava, ouvia um sermão sobre o "incidente de Santa Clara" Em cada nova cidade que iria chegar, diziam-lhe que era preciso tomar cuidado, não se emborrachar tanto e manter a cabeça de cima controlando à de baixo.
     No dia seguinte ao dito incidente, tomou café da manhã e ouvia novamente o sermão da noite anterior, quando chegou o táxi coletivo que o levaria até a capital. O carro era um Peugeot 1992, o motorista tinha uns 20 e poucos anos e, no banco de trás, duas estudantes alemãs muito simpáticas. Quando criaram confiança uns nos outros e já estavam quase amigos, ele contou o ocorrido na noite anterior e todos deram muita risada.  Santa Clara tinha ficado para trás, seguiam para La Habana.
   





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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O Dia em que Negão quase Enfartou





      Certa feita, lá pelos idos dos estudos do mestrado, costumávamos jogar futebol e tomar uma gelada depois. O time do nosso laboratório de pesquisa, formado por bolsistas de iniciação científica, mestrandos e doutorandos, enfrentava a galera do laboratório vizinho ao nosso. Todo mundo dava-se muito bem, mas amigos, amigos, futebol à parte. Era um clássico de muita rivalidade dentro do Centro de Tecnologia.
       O time adversário possuía um plantel de boleiros, magrinhos, elegantes, os surfistas da faculdade de engenharia. Além disso, o volante deles era um tal de Ronaldo, que fazia engenharia metalúrgica e era um dos únicos dois jogadores da seleção da UFRGS, que não estudava educação física. Muito bom jogador e gente finíssima. Já a nossa equipe era formada pelos maus elementos da faculdade, a turma do funil, quase todos fumantes e nenhum magro, muito pelo contrário. 
      Papanduva no gol, que de vez em quando defendia uns chutes impossíveis e logo depois fazia um pênalti desnecessário.  Vinícius numa das laterais, fez um gol parecido com o do Ronaldinho na Copa de 2002, contra a Inglaterra, chutou a bola lá da lateral, que fez uma curva e entrou na gaveta, não sei se foi intencional, mas bonito foi; Tropeço, sempre tropeçando, na outra lateral, Caxias e Boff jogando um tempo cada um no meio de campo e Negão e eu no ataque.  Éramos conhecidos como "Ataque Philip Morrison". Fumávamos 2 carteiras de cigarro diárias cada um.  Gianpaulo chegava fedendo a cerveja e não passava ninguém por ele, nem o Ronaldo, que Gian derrubava e ainda dizia, na cara-dura:
      - Levaaaaaaanta! Não foi naaaaada!
      Nosso time nunca perdeu pros colegas do laboratório ao lado! Um dia Negão chegou inspirado, fumou uns 2 cigarros na lateral antes de começar a partida, deu balãozinho, fez gol de cabeça. Até o Caxias, que não jogava nada, fez um golaço com um passe do Negão. Ganhamos de 3 a 2 e fomos tomar a maior cervejada em comemoração. Aproveitamos que o Moraes nos devia um churrasco pela defesa do seu mestrado e assamos uma carne. 
     Tomamos cerveja e comemos churrasco a noite inteira. No outro dia, todo mundo só foi trabalhar à tarde, menos o Moraes, que quis ir de manhã cedo e bateu o carro em uma ponte, que existe na entrada do laboratório, dentro do campus da UFRGS. Moraes não se feriu, mas pagou um baita vale, os professores e colegas chegando para trabalhar e ele lá, trocando o pneu do carro batido com um baita bafo de cachaça, tendo que dar explicações de como havia sido o acidente numa ressaca danada.
      Lá pelas três da tarde, quando todos já estavam trabalhando, Negão diz:
      - Tô passando mal!.
      - Eu também, que trago ontem.
      - Não cara, eu to com o braço amortecido, dizem que isso é sintoma de enfarte.
      Um bolsista gritou lá do fundo da sala:
       - Um primo meu fumava e bebia que nem o Negão e enfartou com 30 anos! Sentia dor no peito e o braço amortecido...
      O professor que trabalhava na mesma sala perguntou:
       - Tu tá sentindo dor no peito também?
      Negão fica uns cinco segundos concentrado, pensando e diz:
      - Pior que acho que to com dor no peito também...
      - Tá ou acha que tá?
     Pensou mais um pouco:
     - Tô...agora eu tive certeza, é dor no peito e braço amortecido.
     - Tu tá branco, meu!
      O bolsista que tinha contado a história do primo enfartado, saiu pelos corredores gritando:
      - Meu Deus! O Negão tá enfartando! Isso é o que dá fumar e beber que nem um louco.
       Entramos no carro com o Boff na direção, eu no banco de trás e o Negão no banco do caroneiro:
      - Pior que tu tá cada vez mais branco, meu.
      - Caralho, to enfartando.
      Boff voou pelas ruas de Porto Alegre em direção ao Hospital de Pronto Socorro, descemos, e enquanto Boff estacionava o carro, entramos Negão e eu de braços dados hospital adentro:
      - Tô mal, véio, nunca tive tão mal assim na vida.
      Na hora de registrar a sua entrada no guichê do hospital, havia uma pendenga burocrática lá, só parentes próximos ou companheiros poderiam entrar com a pessoa, de modo que se eu  fosse registrado como amigo, o Negão entraria sozinho para o atendimento e caso fosse internado, somente algum familiar poderia fazer companhia. A família de Negão era de Araranguá, em Santa Catarina. Não tivemos dúvida:
      - Me registra aí como companheiro, namorado dele - Colocaram o Negão numa cadeira de rodas e empurrei-o até a salinha da emergência. Na fila para o atendimento, um senhor muito educado dizia, após escutar nossa história:
     - Dor no peito e braço amortecido....é enfarte! Já tive três! Tu tá enfartando rapaz.
     - Tão novo, tanta coisa por fazer. - dizia uma outra senhora.
     Diz o Negão que eu esqueci meu ateísmo e rezei um "Pai Nosso" de mãos dadas com ele, não duvido. Entrou para o atendimento emergencial e eu fiquei do lado de fora esperando e conversando com as pessoas que estavam na fila, como sempre, quando preciso ficar numa fila de espera, em alguma coisa chata, faço amizade com todo mundo pra passar o tempo. O homem que havia afirmado que o Negão estava sofrendo um enfarte perguntou-me, desconfiado:
     - Que que tu é dele?
     - Amigo.
     - Amigo mesmo oooooooouuuuuuu? Outra coisa?
     - Amigo, meu senhor, somos amigos.
     Nisso, o Negão sai lá de dentro em pé, com uma cara ótima:
     - O médico disse que foi uma dor muscular, talvez uma distensão do jogo de ontem, só um susto.
     Saímos do hospital aliviados:
     - Bora tomar uma?
     - Tô de ressaca, mas acho que podemos comemorar que eu não enfartei, né?


sábado, 25 de julho de 2015

Companheiros de Andanças

Vou mandar umas lembranças
Pros amigos desta vida
Companheiros de andanças
Lida fácil ou sofrida

Tem o grande Marauê
Esse nome eu não sei o porquê
Conheci o parceria
Quando eu vim de Vacaria
Pra estudar engenharia

Tem também o Zé Leandro
Esse é um baita de um malandro
Sempre cheio do dinheiro
Pois o cara é cantor
E também é engenheiro

Dos estudos do mestrado
Que eu fiz meio arrastado
Tem Gian e Papanduva
Faça sol ou faça chuva
A gente é que nem irmão
E eu não me esqueci do Negão

Pra fechar o meu versinho
Essa é só uma das listas
Mais o Boca e o Mamão,
Um alô pro Bonitinho!
Companheiros comunistas
Só amor no coração
Pra fazer revolução.