segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Diário de Cuba 4 - Uma noite em Varadero

 

        Acordou na outra manhã num baita susto, lembrou-se de que havia tomado algumas taças de vinho com as duas canadenses ( ler Diário de Cuba 3: El Malecon) quando descobriram que os três iriam para o mesmo destino no outro dia, a praia de Varadero, ele iria no ônibus das 13h e elas bem cedo, num táxi coletivo. As irmãs retornariam para Havana dois dias depois e daí para Montreal, ele passaria uma noite por lá e depois seguiria para Santa Clara, de onde pegaria um avião para o Panamá e depois para o Brasil.
       Havia rolado uma curiosidade mútua entre ele e a canadense ruiva já na noite anterior, quando foram interrompidos pelo chinês borracho ( ler Diário de Cuba 2: El Chino de La Habana). Desta vez, novamente algo estranho acontecera bem quando estavam para pegarem-se. Levantaram, pagaram a conta, e a irmã morena saiu rápido, deixando-os para trás, foram chegando-se perto enquanto caminhavam para a saída do bar. Acontece, que dentro do local, havia um degrau no chão e, como estavam olhando-se nos olhos e meio borrachos, a ruiva pisou em falso e saiu lavrando as mesas do boteco, caiu por cima de uma mesa cheia de gente, virando porções de petiscos e garrafas de cerveja.
        O constrangimento do pialo obviamente quebrou todo o clima, a irmã morena voltou para ajudar no socorro da ruiva e as duas canadenses entraram em um táxi para o hotel. Ele seguiu para casa sozinho, parando aqui e ali para assistir as rodas de música que abundam na noite habanera, dormiu cedo. Tomou café da manhã, lembrou-se de que havia pego o telefone da canadense e logo depois visitou a casa de Isabel e Luís. 
     O casal cubano tinha uma novidade, naquela manhã havia chegado Maria, uma professora brasileira de física, que já havia visitado Cuba mais de 30 vezes nos últimos 30 anos, Maria era do PCdoB, uma enciclopédia viva sobre a revolução e amigaça de Luís e de Isabel, fora inclusive madrinha no casamento deles. A professora convidou-o para uma visita ao museu da revolução, onde lhe deu uma aula sobre a cultura e a história cubanas, passearam por Habana Vieja e almoçaram em um tradicional restaurante da Sociedade Canária, que possui o símbolo igualzinho ao do Sport Club Internacional. 
        À tarde, ele voltou para a casa onde estava hospedado, arrumou suas coisas e pegou um táxi para a rodoviária, onde embarcou num ônibus para a cidade de Varadero, famosa península paradisíaca no mar do Atlântico. Chegou no meio da tarde, largou suas coisas na pousada, colocou um calção de banho e seguiu para a praia.
        Antes, combinou com Fred, o filho do dono da pousada, que na outra manhã o levasse até Santa Clara, para que voltasse ao Brasil no voo das duas da tarde para a Cidade do Panamá. Fred disse para que ficasse tranquilo, as duas cidades eram 200 quilômetros distantes e às 7 da manhã, em ponto, ele estaria ali para o retorno.
       - El coche esta muy bueno. - disse Fred, e saiu com seu carro soviético Lada 1974 tossindo, apagando e gineteando pelas ruas da bela cidade.
     A praia estava praticamente deserta em função da época do ano, que é inverno no hemisfério norte, mas as águas permaneciam quentes, aproximava-se um pôr-do-sol vermelhíssimo dentro daquele mar em sete cores que variavam desde o azul mais claro até o verde mais verde. Tomava uma dose de mojito, que comprara numa barraca no caminho, e sentiu-se sozinho como nunca em toda a sua vida. Do nada, surgiu aquela pontinha de melancolia que sempre sentia quando assistia a um nascer ou a um pôr-do-sol em um lugar tão bonito. Cochilou nas areias de Varadero logo após ter anoitecido.
      Acordou com uma exclamação de alegria:
      - Hey brazilian!!! - era a canadense, ele havia mandado uma mensagem logo que chegara, mas por uma dessas falhas no sistema de telecomunicações da ilha, não chegara ao celular da mulher.
      Ela havia chegado ao meio dia, e dormira para recuperar a ressaca da bebedeira da noite anterior, quando resolveu caminhar um pouco pela praia logo no começo da noite. Não deu 5 minutos de conversa e, após 2 dias adiando a vontade de pegarem-se, nem perceberam quando já estavam aos beijos. Como nenhum dos dois possuía preservativos e também por causa da areia, não puderam desfrutar de todas as possibilidades de uma torrente de paixão pelas areias de uma noite quente cubana, o que não impediu que se divertissem bastante.
       Ele voltou para a pousada e ela para o Resort em que estava hospedada já próximo de amanhecer. Após o café da manhã, ele arrumou as malas para esperar a chegada de Fred com o carro que os levaria até o aeroporto de Santa Clara em seus últimos momentos em Cuba. 

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